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Perda auditiva na família: como lidar?

Contar com o apoio e colaboração dos familiares é indispensável para enfrentar um momento que pode ser desafiador para muitos

Apesar de ser um acontecimento natural da vida – já falamos que mais de 10,5 milhões de brasileiros têm alguma deficiência auditiva -, a descoberta da perda auditiva pode ser muito desafiadora. Essa nova etapa inclui tanto a própria pessoa, que se vê em meio a descobertas de novas limitações e aspectos da vida, quanto para os que convivem com ela. Há até uma espécie de ditado comum sobre isso: “Quem cuida também adoece”.

Por isso, aos primeiros sinais da perda auditiva na família, é importantíssimo a avaliação de um profissional e o acompanhamento para orientações de como seguir em frente. É comum que os próprios familiares consigam perceber os sintomas, com os constantes pedidos para repetir informações nas reuniões de família, falta de percepção no aumento do volume da televisão, entre outros comportamentos recorrentes.

Nesta etapa inicial, a presença de familiares na consulta e na possível decisão dos tratamentos e procedimentos a serem realizados é essencial, ajudando a compreender de forma clara o que está por vir.

Para auxiliar, liste os principais sintomas e atividades do paciente para facilitar a ida ao especialista e o relato dos fatos, que são importantes para o diagnóstico da perda auditiva, juntamente da realização dos demais exames que confirmam o quadro.

Família sempre ao lado

O suporte familiar é imprescindível não só no momento da descoberta e nas idas ao fonoaudiólogo, mas em toda a jornada do paciente com perda auditiva. Independentemente do grau, é uma transformação que nem todos estão preparados e aceitam bem. Muitos passam pela fase de negação e evitam a consulta: estar presente e incentivar que se busque auxílio é fundamental.

Mas lembre-se de que, além do carinho e suporte, é preciso ter paciência e cuidado com o paciente: ter que repetir o que falou pode se tornar mais comum que o normal. Faça isso de forma pausada, tranquila e sempre olhando para a pessoa, oferecendo a possibilidade de que ela acompanhe os seus lábios.

Evite gritar ou aumentar o volume da fala achando que está ajudando, pois isso pode dificultar ainda mais o entendimento e a compreensão da mensagem. Alguns pequenos gestos e movimentos podem ajudar no desenvolvimento da conversa, uma interação que tende a se tornar mais natural com o passar do tempo.

Essa compreensão não deve ficar restrita ao acompanhante do paciente, e sim, deve ser repassada para toda a família, em especial para pessoas mais impacientes, crianças e adolescentes. Quanto mais acolhido for o paciente pela família e amigos, mais fácil será para que se sinta seguro e confortável em outros ambientes mais desafiadores.

Respeite o espaço e o tempo

Como dissemos acima, algumas pessoas tendem a negar a perda auditiva, um processo normal ao ser diagnosticado com uma patologia que influencia tanto a vida, no dia a dia e na relação interpessoal (afetiva e profissional).

Muito dessa negação vem de um preconceito, que associa a perda auditiva ao avanço da idade. É um desconhecimento comum, mesmo que o mundo enfrente uma pandemia silenciosa: mais de 1 bilhão de pessoas corram o risco de perder a audição entre os 12 e os 35 anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por isso, o período pode envolver muitas alterações de humor, isolamento e mudanças de comportamento por parte do paciente. Como em todas as situações, cabe à família compreender, aceitar e respeitar, acima de tudo.

Perceba que essa atitude é diferente de um abandono. Deixar que ele tenha seu momento e se isole vez ou outra, é diferente de não procurá-lo nunca mais. Nem sempre estamos dispostos a bater papo ou confraternizar, imagine com uma perda auditiva, que inicialmente pode limitar a comunicação e a interação com outras pessoas.

Esse cuidado evita o desenvolvimento de outro quadro comum relacionado à perda auditiva: a depressão. Com a dificuldade em escutar e se comunicar, vem a fuga da vida social. O paciente tende a ficar mais recluso e a desenvolver quadros depressivos, principalmente no período pré-diagnóstico. Por isso, é importante a família se manter atenta ao comportamento e aos sinais.

Esse ponto denota o quanto o diagnóstico precoce pode evitar esse isolamento e suas potenciais consequências. Com o quadro fechado por um profissional e um tratamento adequado, é provável que o paciente se sinta mais à vontade para sair, conversar e estar em ambientes com mais pessoas.

Autoestima e incentivo

Com o diagnóstico da perda auditiva e o acompanhamento do profissional, pode haver recomendação para o uso de aparelhos auditivos. Este também costuma ser um período de atenção por envolver inúmeros passos, como a escolha do melhor aparelho, a aceitação do uso e a adaptação.

Envolver os familiares e as pessoas mais próximas neste processo pode ser interessante para compartilhar as dúvidas, auxiliar nas escolhas e mesmo para ter companhia. Com o aparelho auditivo certo, as relações voltarão a ser mais tranquilas e leves.

Não deixe que a perda auditiva na família sacrifique as relações e muito menos permita que seu familiar espere a perda auditiva piorar para procurar ajuda e começar a usar um aparelho auditivo. Incentive o uso precoce para, além de facilitar a comunicação entre todos, aumentar a qualidade de vida e proporcionar mais autonomia no dia a dia.

Ele vai se sentir melhor e toda a família  e amigos também!   

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